sábado, 15 de setembro de 2012

Rosa Noturna


ROSA NOTURNA
 
...Então a rosa revelou-me o espinho.
 
Com sutileza
cortou-me da inocência à face pouco atrativa.
 
Sou agora palavra...
Sou verbo
Sou parte do tudo que todos sempre quiseram me esconder!

Sangue que desce,

e que do meu corpo umedecido agora tens sede:
Qual o seu fim!?

Ó folha de outono, por que caíste tão perto?!

Por que se jogou do alto da arvore animada
Para que eu ficasse ao alcance de pisá-la
E pisando, a sufocasse entre a calçada concreta e a sola de meus pés descalços
Sem saber que era em você que eu pisava.
 
Por que caíste tão perto de mim, para que eu ficasse ao alcance de poder pisá-la 
Deixando-me sem saber dizer sobre o que senti ao pisar em ti.
 
Manhã que nasce:
Mostre-me o seu lado insustentável !
 
Ceia prometida
Onde estas!?
 
Das juras de amor...
De todas as promessas de fidelidade:
Por onde andam aqueles que em faces faceis cheias de viço e brilho
as declararam nos bastidores e altares da emoção?!
Por onde andam?
Por onde?!
 
E a confiança :
Quando foi jogada de lado
Quando fora esquecida e dada à perda
Quando?!

Caminho: Dá-me a direção!
Verdade: Incida luz sobre mim!
Vida: Sirva-me a ceia... O suave do vinho
 
Vida!
Fonte!
 Estou às margens!
Fonte! Vida!!!
 
Não almejo juras ou promessas coagidas pelo calor
                                                         [de qualquer solfejo de dor                                     
                                                             [em peles de breve euforia:
Sua natureza é o fugaz!
Fugaz feito a beleza das florês que murcham em instantes
                                                                    [tão somente delas: Inexatos!
Murcham em total despeito_ em total descaso_ por quem as receberam
                                                                                     [com olhos brilhosos
                                                                                        [de contentamento e completude.
Murcham simplesmente assim, qual beleza fugidia!
em instantes tão somente delas,tão assim_
                                                       [sem exatidão...!
Depois de roubadas da terra e dos jardins
por mãos cegas, sedentas de paixão.
 
Assim como também não almejo a toda a riqueza mesquinha:
“Que se é mesquinha, riqueza não é.
Posto que não há beleza quando à mesquinhez”.

Não! Certamente não almejo.

 
Como também pouco desejo os sorrisos plásticos
                                                        [do tudo que está de passagem.
Ou mesmo do sentir-se satisfeito com as margens
e com apenas, e somente, o molhar das pontas dos pés
Quando desejoso estou de banhar -me por inteiro no profundo...
... No profundo de rios
mares, marés e oceanos...
De ribeirões e ribeirinhos
Córregos, regatos e riachos todos
De lagoas e lagos, e arroios
Banhar-me de vida!
De palavras e gestos...
Banhar-me de visões
Em cachoeiras de ternura e vozes

Diante da sede de horizontes guardada em meus olhos
Arde sim meu desejo de mergulhar!
 
Não!!!
 
Decerto não almejo apenas, e tão-só,
o molhar das pontas dos pés:
   "Antes, salto com os dois!
   Para que não possam um dia se convencer do desejo de ficar parados".
Ou limitar meu olhar e olhares,
à fixidez de acompanhadas solidões,
e a secura de paredes e tetos de quarto
de salões
salas ou prisões.
Quando meu coração_ em puro incêndio_ deseja por campos e campinas
por montanhas e montes
e por vales
planaltos, e planícies
e matas:
fechadas ou não!
Por sonhos...
Deseja manhãs e noites
A fora...
adentro
E céus abertos
E grama molhada para costas
e para do corpo meu todo o resto
Deseja mantas de pele para se acobertar...
Ou terra batida para deitar, se for!
Deseja o nascer das manhãs
e o cair das noites
Deseja o sereno...
o refrigério do orvalho...
a viração tardina
o uivo lupino
 
Quero colo de encaixe leve, absoluto e pleno
                                                   [quando caído de sono...
...E quando retirado do mundo, longe de tudo,
                                                  [tombado de deserto e pesar
                                                      [donde as estrelas não podem ser vistas...
Que esse colo chegue talhado de forma tal
que sua saliente paz e calor,
penetre, simples assim_ impetuosamente_ na ardência,
na fenda aberta de minha dor.
Sufocando-a!
Preenchendo-a.
"Até que não haja ares algum de seu hálito ressequido".
Ajustando-se perfeitamente a ponto de fazê-la perder
                                                               [todo seu movimento vital.
E assim, sob a força desse acaloramento_ asfixiada de luz até a borda_
                                                                                                       [ela esvaeça!
Esvaeça por completo! até extinguir-se de todo... Até deixar de ser.
 
Sim!!!

Quero belezas e descobertas...
Caminhar por encantamentos, vilas discretas e vilarejos
E quero longas conversas à beira de pôr de sois e luares todos...
E o cheiro da lavanda
E a leveza das varandas...
E histórias para sorrir
E historias para contar...
E canções... E canções... E canções!
E sussurros ao pé do ouvido
E poesia
E som de música...
E poesia... E poesia
 
Pergunto: _Como ser grito e ficar calado, ficar mudo!
_ Como!?
Sendo rio, como não desejar correr para o mar...
                                                           [visando oceanos
Como não querer desaguar numa torrente caudalosa de silêncio e sons

Quero o desafio de me reinventar!

Quero batalhas e conquistas
 
 A cantada secreta do botão da rosa
Seu flerte às escondidas
E sim, seu instante revelador!
E a volúpia inusitada guardada no oculto do véu e da renda

Quero estender a mão para quem chega, e para a felicidade que vem...
"Estando meus olhos desprendidos de duvidas”
Abertos!
 
Quero paz!
Quero fazer as pazes!
 
Quero a descoberta da vida segredada no interior de cada beijo apaixonado...
            "No momento em que tudo se torna silêncio
            Quando não existe mais o antes ou o depois
            Nem espaço ou tempo... ou duração. Nem mesmo o porvir
            E tudo se resume no viver do presente momento
                                                                     [Exato, distinto... íntimo e único".
Dança, cujos pés já não mais encontram um chão para pisar...
Tampouco o procuram! Quiçá!
E não mais sabem_ os olhos_ se ainda permanecem como sendo olhos
Ou caso, tornaram-se mãos, cabelos ou nuca, costas,
                                                               [nariz, queixo... lábios ou palavras!
Se bem que se esquecem_ nesse sentir_ como abrir
E continuam fechados sem saber como...

Quero o olhar honesto da criança amada. Sincero!
Que faz as lembranças que deveras doem durarem pouco.
E de suas perguntas não me esquivar
 
Quero esmolas de conforto
quando acreditar estar rico!
E quero reconhecer a beleza do ato de doar...
... quando eu estiver_ por assim dizer_ com quase sem nada pra dar
 
Da alma quando esvaziada,
do corpo quando no abandono:
Quero o achego, o amparo, a proteção.


Quero ser_ sempre que puder_ infiel ao meu orgulhoso recurso à solidão.

Quero a reconciliação!

Quero o sorriso único_ que de tão ele...
me tire o medo e a dúvida
E me faça desgarrar-me_ uma vez por todas_ de minha antiga vida.
 ... E que me lance a outras vidas possíveis.
E que diante destas, lance-me a mim mesmo!
Lance-me a mim, e lance-me a coragem...
A afeição viva!
 
Quero o amor sacramentado em espírito
e alimentado pelo olhar quando em simplicidade, 
e acariciado pelo coração, quando aberto e limpo,
                                              [e em estado de confiança e verdade.

Quero da vida a sua natureza mais íntima e primeira.

Quero ser pleno!


                                                          Por Cleder Zvonzik
                                                          Em algum dia desses... De um mês de agosto.

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